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Discurso proferido pela
passagem de 104 anos da existência da Loja.
Prezadas Senhoras e Prezados Senhores,
Coube-nos a
responsabilidade, nesta magnífica oportunidade, de expor-vos um breve relato
da História de nossa Loja Maçônica AMOR À JUSTIÇA, fundada em 08 de Novembro
de 1900, por valorosos membros que participaram efusivamente, ajudando na
construção do município de Itatiba.
Tudo começou com os
incansáveis esforços dos IIr.', Dr. José Silvino de Faria, João Rodrigues
Formosinho e Fernando Paulino de Souza, entre outros, a fim de agremiar os
elementos tão necessários ao desabrochar do espírito maçônico no seio da
sociedade, para a prosperidade e engrandecimento de nossa eterna
instituição.
Consta em documentos da época que a composição da
Diretoria da Loja Maçônica AMOR À JUSTIÇA, na oportunidade de sua fundação,
foi assim constituída:
- Presidente ou Venerável
Mestre Manoel-:Alves Rodrigues
- 1° Vice-Presidente ou 1°
Vigilante João Rodrigues Formosinho
- 2° Vice-Presidente ou 2°
Vigilante Francisco Ciarbello
-
Orador Secundino
Veiga
-
Secretário João Batista
e Juvenal de Campos
-
Tesoureiro Miguel
Rotundo
- Chanceler Clemente-Coiai
Outros membros citados:
- Manoel José Baptista
- Fernando Paulino de Souza
- Coronel Júlio César de
Cerqueira Leite
- Fernando Ferreira de
Azevedo
Suas reuniões eram
realizadas às Sextas-Feiras.
Em 01 de Agosto de 1901, a loja Maçônica AMOR À
JUSTIÇA obteve junto ao Supremo Conselho do Grande Oriente do Brasil, sua
Carta Capitular, podendo dai em diante ela própria elevar os seus obreiros
até o Grau 18 do REAA, enviando apenas os respectivos dados para confecção
dos diplomas que vinham do Rio de Janeiro.
Atualmente temos uma única
cópia de um destes diplomas, que foi conferido ao Ir.'. José Ferrari,
elevado ao Grau 18 em 10 de Setembro de 1902, assinado pelo Soberano Grande
Comendador Grão-Mestre Ir.’. Quintino Bocahyuva, e outras autoridades
maçônicas.
Coroando o fortalecimento
de suas colunas da Loja, aliado aos fervorosos trabalhos dos obreiros, que
já contava com 53 obreiros, em 30 de Março de 1902 houve a inauguração de
seu Templo próprio à Rua Campos Salles pelo então Venerável Mestre, Ir.’.
Coronel Júlio César de Cerqueira Leite, tendo como Orador o Ir.’. Secundino
Veiga. Na oportunidade, o Ir.'. Silvino de Faria brindou os participantes
com um eloqüente discurso, que ficou registrado no Almanaque de ltatiba,
edições organizadas por Secundino Veiga e Narciso de Azevedo, tipografado
pelo Jornal Progresso de ltatiba.
Foi-nos relatado pela Sra.
lsa Bueno de Campos Pântano, esposa do Sr. Rubens Pântano, que o atual
prédio de n° 289 da Rua Campos Sales, estabelecimento comercial de
propriedade do Sr. Rubens Consoline, abrigava o Templo próprio da Loja
Maçônica que foi inaugurado em 1902. Este relato além de mais informações
históricas é objeto de pesquisas ainda não concluídas, e que em breve,
poderemos divulgá-las.
É oportuno abrir um pequeno
espaço e lembrar que estes Irmãos, Coronel Júlio César de Cerqueira Leite e
Secundino Veiga, tiveram uma participação efetiva em nossa comunidade, tanto
é que por ela foram agraciados tendo seus nomes em Escola de nosso
município, o charmoso "Grupão" e Secundino Veiga tem seu nome em uma
importante via no centro do vizinho município de Jundiaí.
Durante aquela cerimônia de
inauguração do Templo, houve a adoção de Lowtons: Bianor de Faria, filho do
Ir.'. Dr. Silvino de Faria, Artur Rodrigues Brasil, filho do Ir:. Capitão
Manoel Alves Rodrigues, e Nicola Pescer filho do Ir:. Arone Pesce.
Na cerimônia de inauguração
do Templo estiveram presentes autoridades maçônicas da Região, de São Paulo
e de Santos.
Primeiros Dirigentes da loja Maçônica AMOR À JUSTIÇA:
Período
Presidente ou Venerável
Orador
na Fundação
Manoel Alves Rodrigues Secundino Veiga
1900 a
1902 Júlio César de Cerqueira Leite Secundino
Veiga
1902 a
1903 Manoel José 8aptista
Fernando Paulino de Souza
1903 a
1904 Fernando Paulino de Souza Secundino
Veiga
Primeiros dirigentes da
Loja Capitular AMOR À JUSTIÇA:
Período Presidente ou Atherzata Secretário
1901 a
1902 Femando Paulino de Souza Femando Ferreira
de Azevedo
1902 a
1903 Femando Paulino de Souza Miguel
Rotundo
1903 a
1904 Miguel Rotundo Femando Paulino de Souza
A data de encerramento do
funcionamento deste período não é bem precisa, mas concluímos que com as
dificuldades encontradas naquela época com os mandos e desmandos com a
eternização dos fundadores, além de uma fortíssima oposição da Igreja, a
Oficina, a princípio com muita disposição e energia, acabou se
enfraquecendo. À partir de 1904, o Grande Oriente do Brasil não mais recebeu
noticias de suas atividades. Consta que em Maio de 1909 um membro de nossa
Loja, Ir.'. Felippe Curi filiou-se à Loja Maçônica Amor e Concórdia de
Jundiaí, e a Loja Capitular AMOR À JUSTiÇA não mais constou do Anuário do
Grande Oriente do Brasil do Ano de 1912, forte evidência de não ter tido
nenhuma alteração de seus Obreiros.
Passaram-se os anos, e em
31 de Agosto' de 1-988, em Sessão Magna ocorrida no Templo da "Amor e
Concórdia", em Jundiaí, a "AMOR À JUSTIÇA" foi novamente regularizada, com a
participação de oito Irmãos, sendo que parte deles são membros efetivos do
quadro de nossa loja, IIr.'. Cláudio Luiz Pereira da Silva, Francisco Assis
Oliveira, Gentil de Souza Coelho, e o saudoso José Maria Sólido.
O propósito inicial desses
Irmãos capitaneados pelo Irmão José Maria Sólido, de edificar um Templo
Maçônico próprio, começou a "Concretizar-se com a assinatura da escritura de
comodato de um imóvel à Rua Miguel Hércules, lavrada em 02 de Julho de 1990
no Paço Municipal e concluído em 31 de Agosto de 2000 com a realização da
solenidade de Sagração do Templo.
Passou-se algum tempo, e em
meados de 2003, o Irmão Valdir Nardi comenta com o atual Venerável Mestre,
que está prestes a receber cópias de documentos do início do século que
comprovam a existência da Loja Maçônica "AMOR À JUSTiÇA". Estas palavras
foram testemunhadas por autoridades maçônicas que sugeriram que de posse
destes documentos e com a obtenção de mais outros, a.data de fundação
anterior poderia ser reconhecida.
Foi iniciada uma empreitada
na busca incessante destes documentos, e os resultados começaram a aparecer
através de publicações pertencentes ao Museu Padre Lima de ltatiba,
pesquisadas e cedidas pelo Sr. Paulo Henrique Degani, a familiares dos Ilr.'.
Joaquim Bueno de Campos e Cavalheiro José Ferrari, Maçons ativos naquela
época, além da valorosa contribuição dos Irmãos da Loja Maçônica Amor e
Concórdia de Jundiaí, na cessão dos livros de atas, para pesquisa de
citações quanto a passagens e troca de correspondências entre as duas Lojas.
Concluída a pesquisa e de
posse de cópias de vários documentos, é apresentada em Loja e aprovada por
todos os Irmãos, a preparação de processo para reconhecimento da data 08 de
Novembro de 1900, como data de fundação da "AMOR À JUSTIÇA". Presente nesta
Sessão o então Delegado da Região Maçônica, Irmão Rabelo, comenta que é
possível a Loja obter a titularidade de centenária.
A Diretoria da Loja em
conjunto com a Comissão Organizadora de Comemoração do Centésimo Quarto
Aniversário, descide buscar a obtenção da titularidade de centenária e com o
devido despacho favorável do atual Delegado da 19ª. Região Maçônica, é
aprovada pelo Grande Oriente Paulista, a concessão do Diploma de "Grande
Benfeitora e Benemérita".
E hoje estamos aqui
reunidos, para comemorarmos tão expressiva e importante evento histórico
para a Comunidade de ltatiba, da Região, do Grande Oriente Paulista e da
Maçonaria em Geral.
Poucos são os Municípios
Paulistas que possuem uma Loja Maçônica com mais de 100 anos, e daqui a três
dias, no dia 08 de Novembro, nossa Instituição completará 104 anos de
existência. ltatiba tema honra e o privilégio de sediar uma Loja
Maçônica Centenária com a titularidade de "GRANDE BENFEITORA E BENEMÉRITA
AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA SIMBÓLICA AMOR À JUSTIÇA”.
Que o G.'. A.'. D.'. U.'.,
que é Deus, ilumine os caminhos desta respeitável Instituição. Salve a
"AMOR À JUSTIÇA" e todos os Maçons da superfície de nosso Planeta.
Ir.'. Nei José
Faleiros,
M.'. I.'. - A.'.R.'.L.'.S.'. "Amor à Justiça"
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A
A.'.R.'.L.'.S.'. "Amor à Justiça" foi fundada em 31 de Agosto de
1988, com a participação de oito Irmãos.
O nome
"Amor à Justiça" foi adotado em homenagem a uma Loja, com este nome,
que existia em Itatiba no início do século, e que abateu colunas.
Em 31 de
Agosto de 1989, em Sessão Magna, ocorrida no Templo da Loja "Amor e
Concórdia", em Jundiaí, a "Amor à Justiça" regularizou-se
junto ao Grande Oriente Paulista.
Como
toda entidade que se preze, e com firmes e sólidas intenções, os Irmãos
capitaneados pelo Irmão José Maria Sólido, trataram de edificar o Templo
Maçônico - um sonho na época. Foi conseguido junto ao poder público
municipal um terreno. Tratava-se de um imóvel com 687 m2, situado à
rua Miguel Hércules, localização muito boa, rua com todos os melhoramentos
públicos, mas, tinha uma topografia muito ruim: "era uma enorme cratera
encravada nos limites do terreno".
Precisamente
no dia 02 de Julho de 1990, foi lavrada a escritura de comodato, no Paço
Municipal, com direito a foto, publicada no Jornal de Itatiba do dia 12 de Julho
de 1990: Irmão José Maria assinando o documento, o saudoso prefeito Roberto
Lanhoso, os Irmãos Donizete, Osso, Gentil, cartorário, etc.
Feito
isso partiu-se para a sonhada construção. Imediatamente a recém criada
Fraternidade Feminina Princesa da Colina iniciava seus primeiros passos para
angariar recursos para a "obra": bazares, festas sertanejas, noite
italiana, etc. Paralelamente o Irmão Carmelito, Aprendiz naquela época, junto
com o Venerável, Irmão Zé Maria, lançaram-se à campo para elaboração do
decantado "projeto arquitetônico". Várias Lojas foram visitadas, e
daí saiu a aprovação da planta com 599 m2 de construção. Um mega
projeto ? Não, apenas "um sonho a mais".
Em
meados do mês de Março de 1992, novamente o Jornal de Itatiba estampava em
suas páginas "Iniciada a Construção da Loja Maçônica". A obra
está na fase de estaqueamento, para fundação. Foto ? Sim, Irmãos Zé Maria,
Elcias, Marassato e Paulo de Góes. Em um trecho da reportagem afirmava-se
"não havendo prazo previsto para a conclusão da mesma".
O tempo foi passando, e a obra ora parava, ora prosseguia, ao
sabor dos recursos disponíveis. Nesta fase muito se gastou, mas pouco se via:
sapatas, colunas, baldrames, consumiam tudo que tínhamos, mas não esmorecemos.
Até que, na metade de 1995, feito um mutirão para
alcançarmos a laje do piso superior, e no dia 02 de Setembro de 1995
conseguiu-se realizar a solenidade Maçônica de "Lançamento da Pedra
Fundamental". Foi uma festa, com a presença do Soberano Grão Mestre da
época, Irmão Arnaldo Faria, num Sábado à tarde, realizamos uma grande
Sessão Magna, com toda pompa ritualística de nossa Ordem, e na presença das
autoridades municipais, vereadores e convidados.
Faz-se necessário um esclarecimento aqui: A Pedra
Fundamental na realidade deveria ter sido fincada no início da obra, porém
como fazê-la se o terreno era "uma grande cratera" ? Não havia como
promover a marcha aos quatro cantos do terreno. Registre-se também que a data
escolhida para a solenidade foi o dia 31 de Agosto, aniversário da Loja, mas
por cair no meio da semana, transferiu-se para o Sábado, dia 02 de Setembro de
1995. E assim cumpriu-se uma etapa importante da edificação do Templo.
Rifas, bazares, churrascos auxiliados pelos Irmãos de Arujá
(Interior de São Paulo), e o Irmão Zé Maria com o chapéu na mão pela
cidade. Valia tudo para obter recursos financeiros a fim de continuar a
empreitada.
Mais um mutirão foi feito e chegamos a aprontar o pavimento
inferior para abrigar a área de lazer: cozinha, salão de festas, bar,
sanitários, e em instalações precárias e provisórias, no dia 17 de
Fevereiro de 1997, passamos a trabalhar no mezanino do prédio, lugar muito
acanhado, mas extremamente aconchegante.
Deixamos de pagar aluguel depois de 8 mudanças e, em Maio de
1998, com a força da Fraternidade Feminina, marcou-se esta etapa com direito à
fotos, placas comemorativas, etc.
Prosseguindo, concentramos esforços na construção do
Templo propriamente dito, que no dizer do Soberano Grão Mestre, na ocasião da
pedra fundamental, parecia uma "Palácio" e como tal sem dúvidas, foi
a etapa mais difícil de fazer, porém por incrível que possa parecer, foi a
mais rápida.
Certo dia em conversa com o Irmão Carmelito, ele me disse:
- Osso precisamos marcar uma data para o término do Templo, senão a coisa não
vai.
Retruquei: - Mas como ? E os recursos financeiros, como obtê-los ?
- A gente se vira !
Logo em seguida o Irmão Zé Maria adoece, a coisa não era
boa. Os Irmãos manifestavam-se em Loja pela conclusão, nem que parcial, do
Templo.
Saímos imediatamente à campo e providenciamos
"orçamentos" e planilhas de custos. Não deu outra: os bons fluídos
dos Irmãos aliados a figura carismática do Venerável, fez com que os recursos
dos Irmãos e de empresários amigos da Loja, começassem a aparecer.
No dia 11 de Julho de 2000, estivemos com o Soberano Grão
Mestre, Irmão Arnaldo Faria, e relatando a nossa angústia, ouviu-nos
atentamente e respondeu: "Marquem a data da Sagração e não se importem
com a conclusão da obra, o motivo é altamente relevante e significativo, o
Irmão Sólido merece este presente.
Naquele mesmo instante, deixamos agendado, mais uma vez, a
data "31 de Agosto", para realizarmos a solenidade.
De lá para cá, lutamos muito para chegar a este ponto,
viagens, telefonemas, compras, contratações, e o mais difícil, muita
tolerância, muita paciência, e muita humildade para chegarmos a este glorioso
31 de Agosto do ano de 2000.
Salve a "Amor à Justiça". Um viva para todos os
Irmãos de seu honroso quadro de obreiros e um glorioso Adeus ao queridíssimo
Irmão José Maria Sólido.
Ir.'. José Carlos Osso,
M.'. I.'. - A.'.R.'.L.'.S.'. "Amor à Justiça"

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